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O grande reinício: uma revisão crítica

 

O grande reinício ou a  reconfiguração do ser humano

 

00:46 Não é tão visível o tema com  a  pandemia COVID. Mas ao final, verão a importância desse tema.

 

01:09 Além do colapso na saúde, vemos como resultado da pandemia a destruição da economia, diminuição da qualidade de vida, limitação das liberdades, inflação e desemprego. Pergunta-se se há proporcionalidade entre essas medidas econômicas e os supostos danos na saúde. Morrem 0,4% das pessoas saudáveis. As medidas liberticidas e destrutoras da economia são desproporcionais ao impacto sanitário sofrido?

 

02:21 Os líderes dos organismos supranacionais (OMS, ONU), governantes em todos os países dizem que temos que nos agarrar à esperança. Que o vírus é temporário, que chegará uma  vacina, e que precisamos ficar tranquilos porque, no final, sairemos mais fortalecidos. E afirmam para olhar o futuro com otimismo, o progresso é possível.

 

 

02:57 E aqui vem o primeiro ponto de interesse, a ideia de progresso. O que se entende por progresso? Ao longo da história, o progresso foi vinculado à mudança tecnológica. Essa ideia de progresso foi impulsionada, por exemplo, pela revolução industrial. A 1a revolução industrial, na Grã-Bretanha, entre 1760 e 1840, que levou à mecanização da produção, à divisão de  trabalho e, o mais importante, a partir dessa mudança tecnológica radical surge o capitalismo como sistema econômico predominante e, alguns anos depois, o comunismo, denunciando as desigualdades que o sistema capitalista tinha gerado. A ideia importante é essa: a partir da 1a revolução industrial, a partir da mudança tecnológica, é quando se configura uma nova ordem econômica e uma nova ordem ideológica, em termos políticos. E é relevante porque, hoje, estamos vivendo algo parecido e, talvez, em escala maior.

 

04:32 Passam os anos, ocorre a 2a revolução industrial, no final do séc. XIX, entre 1880 e 1920, a revolução da eletricidade, do transporte, das comunicações à distância (com o telegrama, por exemplo), que nos leva a uma etapa de enorme fé nesta ideia de progresso. Essa ideia de progresso, no século XIX, começa a se tornar quase uma religião. Podemos encontrar personagens como Henri de Saint-Simon, que sonhava com um socialismo cristão, uma sociedade regida por tecnocratas, por engenheiros. Seu discípulo, Augusto Comte, que também acreditava muito nesse progresso material, criador do positivismo, pai da sociologia,  que também aspirava a um futuro tecnocrático. Depois, na Inglaterra, temos o caso de Herbert Spencer, com a ideia de darwinismo social. John Stuart Mill, um dos autores mais influentes do liberalismo inglês, que também era um  firme crente do progresso. Neste século XIX, o progresso começa a se substituir, com mais força, ao cristianismo. Isso não é um processo novo. Podemos falar de tentativas de se substituir o cristianismo ao longo da história. Mas, para efeitos práticos, na época moderna, podemos marcar como o início de uma ofensiva muito forte, cujas ondas expansivas ainda sofremos, desde a Revolução Francesa, desde o século do Iluminismo, séc. XVIII, na França.

 

06:24 Chegamos a uma 3a revolução industrial, na década de  70. Uma revolução que leva à digitalização e automação da produção econômica. É a revolução das tecnologias da informação e da comunicação, a globalização econômica e financeira. É uma revolução cujos impactos ainda sentimos, porque dependemos em grande parte da tecnologia da comunicação. E quero que fique claro que, a partir dessas três grandes  revoluções, foi criada uma narrativa de progresso que hoje explica como a ideia de progresso é concebida no Ocidente. O progresso é concebido como um processo linear, contínuo e ascendente. Ou seja, o progresso não pode ser detido, sempre vamos melhorando, e a etapa atual sempre será superior à etapa prévia. Então,  trata-se de uma fé nesse progresso, porque, cada vez que há novas descobertas e maior bem-estar, vamos progredindo, porque essa etapa em que hoje vivemos é melhor do que todas as outras passadas. Então, linearidade, continuidade, ascendência. Outro elemento chave é a ideia de progresso como algo de alcance universal. Dizem-nos, desde os organismos supranacionais, Bill Gates, George Soros, as universidades (desde Harvard até Oxford), todos os acadêmicos, a comunidade internacional (pelo menos a que lidera os destinos do mundo) nos dizem que o progresso será para todos e, portanto, tem um alcance universal.

 

08:34 Essa  é uma concepção utilitarista do progresso, ou seja, progredimos na medida em que somos mais felizes e temos o  tempo para desfrutar de experiências prazerosas. Assim, quanto maior a felicidade e maior  o prazer, maior também será o progresso. É um utilitarismo hedonista. Mas não apenas isso. É um prazer e uma felicidade que se dão principalmente através de recursos materiais, através da acumulação de coisas e maior consumo. Portanto, esse utilitarismo está atado a uma visão materialista do progresso. E isso é importante, porque, à medida em que o homem foi melhorando objetivamente sua qualidade de vida, em termos de indicadores sociais (esperança de vida, mortalidade infantil, indicadores objetivos), melhoras notáveis em indicadores econômicos (diminuição da pobreza  mundial, o aumento de padrão de vida de milhões de pessoas nunca antes visto na história). Isso é objetivo. Mas o ponto aqui é que esse materialismo e esse utilitarismo geraram um homem que cada vez se agarra mais ao material e que vai se desprendendo de sua dimensão espiritual. Portanto, há um maior secularismo, ou seja, uma ausência de religião. A fé judaico-cristã foi substituída pelo cientificismo,  que é a religião cuja base é a fé na ciência, onde a ciência nos dará as respostas a todas as perguntas e a todos os problemas. Ou seja, a ciência se converte em uma religião, e substitui o cristianismo, pelo menos no Ocidente. 

 

10:55 Toda essa ideia de progresso é atrativa, mas tem alguns problemas. E aqui entra em campo a agenda  progressista. O progressismo é uma plataforma política heterogênea, que pode incluir pessoas de esquerda  (comunistas e socialistas, através do coletivismo e do controle da vida das pessoas através do Estado) ou direita (por exemplo, os direitistas obcecados por temas de mercado e transação econômica), essa redução do ser humano ao homem econômico, que toma decisões racionais, que é consciente de sua liberdade, que aspira a uma liberdade mediante a hiperindividualização de suas atividades. Há muitas similitudes entre esquerdistas e direitistas. Enquanto uns acusam os outros de querer mais mercado ou  querer mais Estado, ao final compartilham muitas coisas. Os progressistas creem na visão de progresso que expliquei. Mas também acreditam que essa ideia de progresso deve ser aplicada a todas as pessoas.  Isso é muito  importante. E ambos extremos são ateus, rejeitam a religião e a combatem ativamente. Ou seja, os progressistas buscam ativamente secularizar a sociedade. E esse é um ponto chave. Para os progressistas, o principal elemento de reforma política, econômica, social e cultural, é a ciência e a tecnologia. Isso é muito importante. O progressista conflui nesse ponto. Aquela pessoa que acredita que mediante a ciência e tecnologia nós vamos nos emancipar, vamos ser totalmente livres de todos o problemas, e vamos assumir um domínio sobre a natureza, provando, como dizia Nietzsche, que Deus morreu, bom, esse é o progressismo.

 

13:20 Problema com essa agenda progressista. O progressismo afirma que precisamos vencer certos obstáculos para alcançar o progresso. O primeiro dele diz respeito ao meio ambiente. Diante da catástrofe ambiental iminente, deve ser usada a tecnologia.  O culpado pelas mudanças climáticas é o ser humano. O eminente zoólogo britânico, David Attenborough, refere-se às pessoas como "praga humana". E essa sua opinião é compartilhada por todas as pessoas que fazem parte da elite que dirige o mundo. Toda praga precisa ser combatida e eliminada [mostra imagem sobre "controle populacional"]. Isso pode ser comprovado ao revisar documentos históricos. Recomendo a leitura do livro de Jacqueline Kasun, The war against population, que documenta com  grande precisão a agenda de controle  demográfico que o ambientalismo esconde. A agenda do meio ambiente é um guarda-chuvas, porque a partir dela surgem outras: a agenda do aborto, a de controle populacional, a de  gênero (que busca confundir os jovens, para distorcer a identidade e as funções do ser humano como procriador de sua  espécie, diminuindo a possibilidade de procriação), a agenda feminista (que busca gerar na mulher uma espécie de couraça para evitar a procriação), a do  multiculturalismo (que busca destruir as fronteiras e a soberania, pq se busca organizar uma governança mundial), a agenda animalista (que desvaloriza a vida do ser humano e a equipara à dos  animais, escondendo um tema de direitos e de legislação). Todas essas agendas, são os  problemas vistos pelos  progressistas, o  que para eles justifica intervir. E as ferramentas para essa intervenção são principalmente as ferramentas científico-tecnológicas.

 

17:34 Apesar do panorama sombrio,  a narrativa progressista é sempre otimista. Sempre sequestra palavras e lhes dá um significado diferente do verdadeiro. Falam em combater  a injustiça social, falam de tolerância, de inclusão, diversidade. É o uso da linguagem como arma política, para nos  fazer crer em algumas coisas, enquanto suas reais intenções são completamente diferentes.

 

18:17 Os progressistas afirmam que o progresso moral não está acompanhando o progresso científico-tecnológico. Então, a todos os  que questionam suas agendas e sua noção de progresso,  o progressismo ataca como  misógino, racista, fascista, medieval, intolerante, etc. São conceitos que servem para estigmatizar moralmente todo aquele  que se atreve a questionar a narrativa de progresso do progressismo.

 

19:45 Para combater  essa imposição desse progresso tecnocrático, utilitarista, materialista, deve-se conhecer as tecnologias  que hoje estão sendo desenvolvidas.  A biogenética visa a  fabricar ou modificar seres vivos com fins comerciais (todas as tecnologias têm fins comerciais, por mais que os progressistas  afirmem as finalidades filantrópicas). Alguns exemplos: os transgênicos, biofármacos, biocombustíveis. Mas há uma técnica particular que se precisa conhecer, que é á técnica CRISPR. As descobridoras dessa  tecnologia e  que pela primeira vez  a aplicaram com  êxito em laboratório (Jennifer Doudna e  Emannuelle Charpentier, ganhadoras do prêmio Nobel de química de 2020 por essa descoberta). Essa tecnologia permite modificar nossos genes, a tirar genes  que não gostamos,  inserir genes que gostamos. Isso abre uma enorme possibilidade (para curar enfermidades monogênicas -causadas por um só gene-, como a fibrose cística). Ninguém estaria contra uma aplicação terapêutica dessa natureza. Mas também se abre as portas para se fabricar pessoas com códigos genéticos  a pedido, literalmente programar uma pessoa em  laboratório, deixando de  lado o fortuito e a natureza. Também para mesclar genes entre espécie, poderíamos ter quimeras. Essas aplicações, nesse momento estão no campo da ficção científica, mas tecnicamente seriam possíveis. Portanto, CRISPR é uma tecnologia muito potente porque nos permite modificar o genoma humano.

 

24:42 Inteligência artificial: é a imitação das capacidades intelectuais humanas mediante máquinas. Os algoritmos são ferramentas estatísticas que permitem, com  base na enorme quantidade de dados (a  "big data"), processar esses dados, perceber o sentido desses dados, "aprender" com esses dados  para obter conclusões e tomar decisões. Temos IA no reconhecimento facial, reconhecimento do nosso estado de ânimo, da  nossa orientação sexual. Também se pode usar a IA para o processamento da linguagem natural (tradutores automáticos), nos automóveis autônomos (fabricados, p. ex., por Tesla,  de  Elon Musk). Também se usa a IA enquanto tecnologia financeira (as chamadas fintechs), como os trades algorítmicos que tomam decisões para comprar e vender ações independentemente de um trade humano.

 

27:13 Nanotecnologia: manipulação de átomos e moléculas para produção em escala. A manipulação da matéria em nível atômico e molecular abre enormes possibilidades. Permitirá criar materiais mais resistentes ou com maior condutividade elétrica. Pode-se pensar, inclusive, em  romper a barreira entre a química orgânica e a química inorgânica, fundindo átomos de carbono (que é o átomo da vida) com minérios, criando novos seres que sejam intermediários entre algo "vivo" e algo "morto".

 

28:29 Robótica: fabricação de robôs, com cada vez maiores habilidades. Por exemplo, no Atlas ou Spot Mini, os trabalhos feitos pela Boston Dynamics, ou os trabalhos do DARPA (Departamento de Defesa dos EUA), que trabalha com empresas para fabricar robôs com finalidades militares. Já se pode pensar em drones  armados para controlar distúrbios. A robótica também se aplica a próteses inteligentes, conectadas  aos nervos, o que permite que se possa movimentar as  próteses com impulsos cerebrais. Isso significa uma fusão  entre o humano e o não humano.

 

30:35 Outras tecnologias: computação quântica, impressão 3D, bioinformática. Todas são tecnologias convergentes, porque, à medida em que vão se aprimorando, pode-se fazer aplicações conjuntas. Por exemplo, a união entre a inteligência artificial e a biogenética, para determinar as funcionalidades de genes e seus efeitos conjuntos (efeitos pleiotrópicos), para determinar nossas características morais ou intelectuais. Haveria o encontro entre o poder de processamento de dados da IA com a biogenética.

 

31:32 Qual é o ponto? Que todas  essas tecnologias estão nos permitindo, segundo os progressistas, um paraíso terreno. Em dezembro de  2015, o Diretor e CEO do Fórum Econômico Mundial (Klaus Schwab) escreveu um artigo para a revista Foreing Affairs, introduzindo o conceito de quarta revolução industrial. Em abril de  2016, em uma conferência de imprensa, ele lança a ideia de quarta revolução industrial. Segundo ele, vivemos um processo de mudança tecnológica sem precedentes e que há enormes desafios a enfrentar (a agenda progressista) e que chegou a hora de utilizar todas essas  tecnologias convergentes em benefício de toda a humanidade, porque precisamos aspirar ao progresso para toda a humanidade. Ele define a quarta revolução industrial como a fusão de sistemas biológicos, tecnológicos, físicos  e digitais [https://www.weforum.org/agenda/2016/01/the-fourth-industrial-revolution-what-it-means-and-how-to-respond/];  [no original: "It is characterized by a fusion of technologies that is blurring the lines between the physical, digital, and biological spheres."] Quero que fique clara essa  palavra: fusão. Ou seja, a quarta revolução industrial é um conjunto de tecnologias que não vão mudar o que nós fazemos, mas o que nós somos. Então, está-se pensando em aplicar a tecnologia diretamente sobre os seres humanos. A 4IR esconde algo, que veremos a seguir.

 

35:45 Transumanismo. É uma ideologia política, um movimento cultural, iniciado  oficialmente em 1998 pelo economista suiço Nick  Bostrom, professor da Universidade de Oxford, e David Pearce, filósofo britânico, quando fundaram a Associação Transumanista Mundial. Em 2006, essa associação mudou de nome, e agora se chama "Humanity Plus". O que o transumanismo propõe  é melhorar as capacidades físicas, cognitivas, intelectuais e, inclusive, morais do ser humano, mediante a aplicação de tecnologias ao ser humano. Possui três  grandes postulados: a superlongevidade (para os transumanistas, a morte é uma enfermidade. Inclusive, estão fazendo lobby na OMS para declarar a morte como uma enfermidade) através da engenharia genética, CRISPR,  para estender a vida. Em ratos, já se triplicou a expectativa de vida utilizando-se CRISPR, o que no ser humano equivaleria a uma expectativa de vida entre 250-300 anos. Outra proposta é a superinteligência. Afirma-se que o ser humano está  em um estágio primitivo de evolução.  A  evolução darwiniana é um processo lento, cruel e sem propósito. Para os transumanistas, essas ferramentas tecnológicas podem ser utilizadas em nós, para assumir absoluto domínio sobre o processo evolutivo. Quanto à superinteligência, a proposta é criar a fusão da inteligência humana com computadores com maior capacidade de processamento. É o caso de Neuralink, que permite especularmos sobre neurohackers. Assim, podemos aspirar a ser muito mais inteligentes, processar muito maior quantidade de informação. Há uma vertente dos transumanistas,  chamada pós-humanista, liderada entre outros por Nick Bostrom, que propõe que em algum momento sequer precisaremos ter um corpo físico, que poderíamos fazer upload de nossa  inteligência para a nuvem e formar uma grande inteligência coletiva com outros, onde se poderia gerar uma  super inteligência coletiva. Estamos falando aqui de ficção científica e o curioso é que os transumanistas, apelando à ciência, exercitam a ficção científica. O terceiro ponto (depois da  superlongevidade e da superinteligência), é o superbem-estar, proposto por David Pearce. Para ele,  modificar-nos geneticamente é  "um imperativo hedonista" [hedonistic imperative] para aspirar ao super bem-estar. Diz ele que temos que esquecer da dor do sofrimento, precisamos nos desfazer dos genes  que nos tornam agressivos, violentos, ciumentos, que nos obrigam a lutar e matar uns aos outros. Mediante a manipulação genética, poderemos fazer seres virtuosos. Não  vamos sofrer. E por isso valerá a pena ter uma superlongevidade e uma superinteligência. [no slide: super longevity, super intelligence, super wellbeing].

 

41:11 O que está se buscando é a destruição do Homo sapiens, e a sua conversão em Homo Deus. E aí está  o título de Yuval Noah Harari, historiador judeu. É um agente do progressismo internacional. Poderemos aspirar a ser deuses. Aqui está a armadilha do transumanismo. Como definir o que é "melhora" do ser humano? Seria mais apropriado dizer que se busca a "modificação", que poderá ser boa (como eles pensam) ou má. Entre eles, há uma "fé" na ciência. Eles são ateístas e rejeitam o cristianismo, pois não querem uma criatura feita à imagem e semelhança de Deus, querem se desfazer do Homo Sapiens. Eles aspiram criar seres que sejam perfeitos em sua imaginação. O problema é que cada um tem diferentes visões sobre perfeição.

 

42:56 Pode-se concluir que a 4IR é transumanismo feito política pública global, disfarçada com a ideia de progresso para todos, justificada com a agenda progressista. Para o transumanismo, é importante progredir moralmente. Mas para isso é necessário romper com qualquer valor absoluto. Porque os valores absolutos são um freio para as pretensões transumanistas e globalistas, porque para elas é necessário relativizar o ser humano. O progressismo encarna o relativismo absoluto [no slide,  algo sobre pós-verdade]. Nada haverá de absoluto, por exemplo o sexo, e qualquer gênero pode ser construído. [no slide: vários logos de gêneros].

 

45:42 Um terceiro ponto muito importante, creio que seja a chave para entender o motivo de estarmos entrando de cheio nessa agenda transumanista, é a aprovação do aborto. Aprovado o aborto, todos os princípios e valores morais da civilização ocidental deixam de ser absolutos. Porque o aborto é a transição do ser humano de sujeito de direito a objeto (de comercialização, de experimentação). O transumanismo busca fazer experiências com o ser humano, como por exemplo os biohackers, que trabalham com ferramentas CRISPR para modificar geneticamente seres vivos, como mudar os pigmentos de sapos, melhorar certas qualidades de seus cachorros, ou aplicando sobre si mesmos, ou se aplicando microchips. Isso já está ocorrendo. Com o aborto, a vida deixa de ter uma dignidade inerente, e a vida passa a ser um objeto de produção e consumo. É comum que, depois da aprovação do aborto, também surge a possibilidade de se fazer experiências com embriões humanos até 14 dias de idade, e também se permite que as clínicas de aborto vendam os órgãos e tecidos dos abortados. E o que motiva a aprovação do aborto para idades cada vez maiores, até chegar ao 9º mês, é poder dispor de órgãos mais maduros para a pesquisa.

 

49:05 Jessica Yaniv processou uma clínica de estética porque se recusou a fazer a "depilação brasileira". [Fala dos transgêneros. Mostra fotos de uma mulher que fez tratamento para ter barbas, tirou os seios, e ficou grávida]. Os transidade: o caso do canadense Paulo que aos 46 anos decide que sua idade é seis, muda o nome, e foi adotado por um par que também possui uma profunda disforia. Ele abandonou esposa e filhos e foi viver com seus "pais adotivos". Podemos falar de Martina Big, atriz alemã, que fez um tratamento de pigmentação de pele para se tornar negra, passando a se chamar  Malaika Kubwa. É um outro tipo de disforia. Temos os transgêneros, os transidade, os transraça. Podemos falar dos transespécie.[mostra foto de um homem que se tornou mulher, depois quis ser mulher lagarto e agora deseja ser mulher dragão, com implantações de titânio, tatuagens, cirurgias para se corrigir, tornou sua língua bífida, tirou o nariz, segundo sua visão de perfeição de si mesmo. Fala também o homem papagaio, do homem leopardo]. Pode-se falar dos transficientes, pessoas que nasceram sadias, mas decidiram tornar-se voluntariamente deficientes [mostra uma mulher que vive em cadeiras de rodas sem ter problema algum e outra que inseriu ácido nos olhos porque queria ser cega]. E podemos falar de transumanos atuais, como Neil Harbisson, que instalou um identificador de cores e James Young, jovem londrino, que perdeu seu braço e perna, e  instalou um braço mecânico com luz e carregador de celular, dando uma nova  funcionalidade a "seu membro".

 

53:03 Nas  escolas, se propõe o Unicórnio de Gênero (notar o desenho do DNA na zona genital), que procura normalizar as disforias vistas acima. Ensina-se às crianças que, afinal, nossas diferenças físicas são irrelevantes,  que nossa anatomia, nossa biologia, nossas capacidades cognitivas são absolutamente irrelevantes, porque somos criaturas que podem ser moldadas segundo a nossa própria vontade. Também somos bombardeados com propagandas que procuram normalizar comportamentos.

 

53:54 Ao juntar as peças, podemos procurar encontrar tendências, projeções e padrões em comum de  todos esses fenômenos. Podemos dizer que tudo isso aponto a uma total liberdade morfológica e cognitiva. [usa um slide escrito "morphological freedom"]. Da esquerda para a direita, Vênus, um rapaz alemão que fez buracos na bochecha, Conchita Wurst (que se define como gay+drag queen), a mulher dragão. Até aqui, podemos identificar que são pessoas humanas. Seguindo à direita,  entrando no terreno de  projeções e hipóteses: podemos criar mulher-leopardo através da técnica CRISPR, ou criar uma  nova espécie que não existe na natureza,  citando obra de arte de uma artista transumanista chamada Patricia Piccinini]. Ou seja, há uma tendência, um padrão, em que categorias como transgênero, transraça, transespécie, transidade, transficiente, são estados prévios de transumanismo, uma espécie de habituação das novas gerações, para aceitar essa diversidade. Aqui, entramos na reconfigurarão do Homo sapiens, como dizia Klaus Schwab 

 

57:10 E esse é o objetivo final: nos convertermos em seres moldáveis, de acordo com aqueles que  controlam as tecnologias. No minuto 57:30 mostra imagens de Big Techs chinesas.

 

57:34 Qual a relação de tudo isso com o COVID-19? [no slide: https://freedomplatform.tv/plandemic-indoctornation-world-premiere/] Eu tenho  a firme convicção de que essa pandemia foi fabricada e seu propósito não é outro senão colocar em prática o Great Reset. E isso [a pandemia] abre caminho para a "nova normalidade" (que é mais ampla do que só a reconfiguração do ser humano, alcança também aspectos da vida de  trabalho, com a destruição das empresas, porque isso abre passo para a robótica, a automatização dos  postos de trabalho, a inteligência artificial. Podemos falar no impacto sanitário, no impacto sobre os transportes,  ou seja, uma nova forma de vida). Mas no coração dessa nova forma de vida, a ciência e a tecnologia como instrumentos não só de emancipação ou liberdade do ser humano para produzir mais e melhor, mas também para se modificar a si mesmo.[mostrou o filme do Fórum Econômico Mundial, chamado Grande Reinício: https://www.youtube.com/watch?v=caXgXx3rnzM]

 

58:58 Reflexões finais. A4IR é a instrumentalização da agenda progressista. Representantes do progressismo: Fórum Econômico Mundial, os membros que participam  da Reunião de Davos, Bill Gates, George Soros, Mark Zuckemberg, os grandes  donos das Big Tech, das Big Pharma, das Big Finance, prêmios Nobel que servem para validar o discurso e a agenda que os   grandes filantropos estão promovendo. Podemos falar que a 4IF é a implementação do transumanismo a nível global.

 

1:00:48 Essa agenda só será possível se houver concentração de poder político e econômico. E quem faz isso são os famosos filantropos, Bill & Melinda Gates Foundation, Open  Society Foundation, Chan Zuckerberg Inicative,  Omidyar Network, Ford Foundation, Wellcome Trust. Todas essas fundações dão um rosto de filantropia aos grandes conglomerados mundiais. O que essas fundações fazem é, através de sua filantropia, privatizar o poder político. Não estão fazendo nada ilegal, mas imoral. Nada impede a Bill Gates a financiar a Organização Mundial da Saúde com US$ 3.4 bilhões, mas isso acaba privatizando a OMS e submetendo-a a suas  preferências. Essa lógica se repete na ONU, no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional, em todos os  organismos supranacionais, nos Estados nacionais, nas universidades, nas ONGs,  porque o dinheiro compra  lealdades. 

 

1:03:16 Uma condição para a implementação da 4IR é  a destruição da moral judaico-cristã, que se baseia em princípios e valores absolutos. Relativizar o ser humano e tudo o que o rodeia é indispensável. É por isso que se busca modificar a  linguagem (se fala de linguagem inclusiva), ou se afirma que precisamos destruir a história (não recordar o passado, porque se está construindo um novo  mundo e uma nova normalidade). Esse novo  normal busca a destruição do ser humano, pois quando se procura a provação do aborto, está-se buscando transformar o ser humano de sujeito a objeto.

 

1:04:23 O mais importante: a mudança de um paradigma, onde é o homem que passa a estar a serviço da tecnologia. Em nome dessa pandemia, se está buscando implementar uma agenda que busca reconfigurar e redefinir o ser humano. Isso pode ser feito com o uso de vacinas, por exemplo com RNA mensageiro. Mas também pode ser feito pela via voluntária (como vimos no tema da liberdade morfológica). Para além de questões políticas e econômicas de curto prazo, trata-se na verdade da preservação da condição e da natureza humanas.


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