O grande reinício ou a
reconfiguração do ser humano
Não é tão visível o tema com
a pandemia COVID. Mas ao final, verão a importância desse tema.
Além do colapso na saúde, vemos como
resultado da pandemia a destruição da economia, diminuição da qualidade de
vida, limitação das liberdades, inflação e desemprego. Pergunta-se se há
proporcionalidade entre essas medidas econômicas e os supostos danos na saúde.
Morrem 0,4% das pessoas saudáveis. As medidas liberticidas e destrutoras da
economia são desproporcionais ao impacto sanitário sofrido?
Os líderes dos organismos supranacionais
(OMS, ONU), governantes em todos os países dizem que temos que nos agarrar à
esperança. Que o vírus é temporário, que chegará uma vacina, e que
precisamos ficar tranquilos porque, no final, sairemos mais fortalecidos. E
afirmam para olhar o futuro com otimismo, o progresso é possível.
E aqui vem o primeiro ponto de interesse,
a ideia de progresso. O que se entende por progresso? Ao longo da história, o
progresso foi vinculado à mudança tecnológica. Essa ideia de progresso foi
impulsionada, por exemplo, pela revolução industrial. A 1a revolução industrial,
na Grã-Bretanha, entre 1760 e 1840, que levou à mecanização da produção, à
divisão de trabalho e, o mais importante, a partir dessa mudança
tecnológica radical surge o capitalismo como sistema econômico predominante e,
alguns anos depois, o comunismo, denunciando as desigualdades que o sistema
capitalista tinha gerado. A ideia importante é essa: a partir da 1a revolução
industrial, a partir da mudança tecnológica, é quando se configura uma nova
ordem econômica e uma nova ordem ideológica, em termos políticos. E é relevante
porque, hoje, estamos vivendo algo parecido e, talvez, em escala maior.
Passam os anos, ocorre a 2a revolução
industrial, no final do séc. XIX, entre 1880 e 1920, a revolução da
eletricidade, do transporte, das comunicações à distância (com o telegrama, por
exemplo), que nos leva a uma etapa de enorme fé nesta ideia de progresso. Essa
ideia de progresso, no século XIX, começa a se tornar quase uma religião.
Podemos encontrar personagens como Henri de Saint-Simon, que sonhava com um
socialismo cristão, uma sociedade regida por tecnocratas, por engenheiros. Seu
discípulo, Augusto Comte, que também acreditava muito nesse progresso material,
criador do positivismo, pai da sociologia, que também aspirava a um
futuro tecnocrático. Depois, na Inglaterra, temos o caso de Herbert Spencer,
com a ideia de darwinismo social. John Stuart Mill, um dos autores mais
influentes do liberalismo inglês, que também era um firme crente do
progresso. Neste século XIX, o progresso começa a se substituir, com mais
força, ao cristianismo. Isso não é um processo novo. Podemos falar de
tentativas de se substituir o cristianismo ao longo da história. Mas, para
efeitos práticos, na época moderna, podemos marcar como o início de uma
ofensiva muito forte, cujas ondas expansivas ainda sofremos, desde a Revolução
Francesa, desde o século do Iluminismo, séc. XVIII, na França.
Chegamos a uma 3a revolução industrial,
na década de 70. Uma revolução que leva à digitalização e automação da
produção econômica. É a revolução das tecnologias da informação e da
comunicação, a globalização econômica e financeira. É uma revolução cujos
impactos ainda sentimos, porque dependemos em grande parte da tecnologia da
comunicação. E quero que fique claro que, a partir dessas três grandes
revoluções, foi criada uma narrativa de progresso que hoje explica como a ideia
de progresso é concebida no Ocidente. O progresso é concebido como um processo
linear, contínuo e ascendente. Ou seja, o progresso não pode ser detido, sempre
vamos melhorando, e a etapa atual sempre será superior à etapa prévia.
Então, trata-se de uma fé nesse progresso, porque, cada vez que há novas
descobertas e maior bem-estar, vamos progredindo, porque essa etapa em que hoje
vivemos é melhor do que todas as outras passadas. Então, linearidade,
continuidade, ascendência. Outro elemento chave é a ideia de progresso como
algo de alcance universal. Dizem-nos, desde os organismos supranacionais, Bill
Gates, George Soros, as universidades (desde Harvard até Oxford), todos os
acadêmicos, a comunidade internacional (pelo menos a que lidera os destinos do
mundo) nos dizem que o progresso será para todos e, portanto, tem um alcance
universal.
Essa é uma concepção utilitarista
do progresso, ou seja, progredimos na medida em que somos mais felizes e temos
o tempo para desfrutar de experiências prazerosas. Assim, quanto maior a
felicidade e maior o prazer, maior também será o progresso. É um
utilitarismo hedonista. Mas não apenas isso. É um prazer e uma felicidade que se
dão principalmente através de recursos materiais, através da acumulação de
coisas e maior consumo. Portanto, esse utilitarismo está atado a uma visão
materialista do progresso. E isso é importante, porque, à medida em que o homem
foi melhorando objetivamente sua qualidade de vida, em termos de indicadores
sociais (esperança de vida, mortalidade infantil, indicadores objetivos),
melhoras notáveis em indicadores econômicos (diminuição da pobreza
mundial, o aumento de padrão de vida de milhões de pessoas nunca antes visto na
história). Isso é objetivo. Mas o ponto aqui é que esse materialismo e esse
utilitarismo geraram um homem que cada vez se agarra mais ao material e que vai
se desprendendo de sua dimensão espiritual. Portanto, há um maior secularismo,
ou seja, uma ausência de religião. A fé judaico-cristã foi substituída pelo
cientificismo, que é a religião cuja base é a fé na ciência, onde a
ciência nos dará as respostas a todas as perguntas e a todos os problemas. Ou
seja, a ciência se converte em uma religião, e substitui o cristianismo, pelo
menos no Ocidente.
Toda essa ideia de progresso é atrativa,
mas tem alguns problemas. E aqui entra em campo a agenda progressista. O
progressismo é uma plataforma política heterogênea, que pode incluir pessoas de
esquerda (comunistas e socialistas, através do coletivismo e do controle
da vida das pessoas através do Estado) ou direita (por exemplo, os direitistas
obcecados por temas de mercado e transação econômica), essa redução do ser
humano ao homem econômico, que toma decisões racionais, que é consciente de sua
liberdade, que aspira a uma liberdade mediante a hiperindividualização de suas
atividades. Há muitas similitudes entre esquerdistas e direitistas. Enquanto
uns acusam os outros de querer mais mercado ou querer mais Estado, ao
final compartilham muitas coisas. Os progressistas creem na visão de progresso
que expliquei. Mas também acreditam que essa ideia de progresso deve ser
aplicada a todas as pessoas. Isso é muito importante. E ambos
extremos são ateus, rejeitam a religião e a combatem ativamente. Ou seja, os
progressistas buscam ativamente secularizar a sociedade. E esse é um ponto
chave. Para os progressistas, o principal elemento de reforma política,
econômica, social e cultural, é a ciência e a tecnologia. Isso é muito
importante. O progressista conflui nesse ponto. Aquela pessoa que acredita que
mediante a ciência e tecnologia nós vamos nos emancipar, vamos ser totalmente
livres de todos o problemas, e vamos assumir um domínio sobre a natureza,
provando, como dizia Nietzsche, que Deus morreu, bom, esse é o progressismo.
Problema com essa agenda progressista. O
progressismo afirma que precisamos vencer certos obstáculos para alcançar o
progresso. O primeiro dele diz respeito ao meio ambiente. Diante da catástrofe
ambiental iminente, deve ser usada a tecnologia. O culpado pelas mudanças
climáticas é o ser humano. O eminente zoólogo britânico, David Attenborough,
refere-se às pessoas como "praga humana". E essa sua opinião é
compartilhada por todas as pessoas que fazem parte da elite que dirige o mundo.
Toda praga precisa ser combatida e eliminada [mostra imagem sobre
"controle populacional"]. Isso pode ser comprovado ao revisar
documentos históricos. Recomendo a leitura do livro de Jacqueline Kasun, The war against population, que
documenta com grande precisão a agenda de controle demográfico que
o ambientalismo esconde. A agenda do meio ambiente é um guarda-chuvas, porque a
partir dela surgem outras: a agenda do aborto, a de controle populacional, a
de gênero (que busca confundir os jovens, para distorcer a identidade e
as funções do ser humano como procriador de sua espécie, diminuindo a
possibilidade de procriação), a agenda feminista (que busca gerar na mulher uma
espécie de couraça para evitar a procriação), a do multiculturalismo (que
busca destruir as fronteiras e a soberania, pq se busca organizar uma
governança mundial), a agenda animalista (que desvaloriza a vida do ser humano
e a equipara à dos animais, escondendo um tema de direitos e de
legislação). Todas essas agendas, são os problemas vistos pelos
progressistas, o que para eles justifica intervir. E as ferramentas para
essa intervenção são principalmente as ferramentas científico-tecnológicas.
Apesar do panorama sombrio, a
narrativa progressista é sempre otimista. Sempre sequestra palavras e lhes dá
um significado diferente do verdadeiro. Falam em combater a injustiça
social, falam de tolerância, de inclusão, diversidade. É o uso da linguagem como
arma política, para nos fazer crer em algumas coisas, enquanto suas reais
intenções são completamente diferentes.
Os progressistas afirmam que o progresso
moral não está acompanhando o progresso científico-tecnológico. Então, a todos
os que questionam suas agendas e sua noção de progresso, o
progressismo ataca como misógino, racista, fascista, medieval,
intolerante, etc. São conceitos que servem para estigmatizar moralmente todo
aquele que se atreve a questionar a narrativa de progresso do
progressismo.
Para combater essa imposição desse
progresso tecnocrático, utilitarista, materialista, deve-se conhecer as
tecnologias que hoje estão sendo desenvolvidas. A biogenética visa
a fabricar ou modificar seres vivos com fins comerciais (todas as tecnologias
têm fins comerciais, por mais que os progressistas afirmem as finalidades
filantrópicas). Alguns exemplos: os transgênicos, biofármacos, biocombustíveis.
Mas há uma técnica particular que se precisa conhecer, que é á técnica CRISPR.
As descobridoras dessa tecnologia e que pela primeira vez a
aplicaram com êxito em laboratório (Jennifer Doudna e Emannuelle
Charpentier, ganhadoras do prêmio Nobel de química de 2020 por essa
descoberta). Essa tecnologia permite modificar nossos genes, a tirar genes
que não gostamos, inserir genes que gostamos. Isso abre uma enorme
possibilidade (para curar enfermidades monogênicas -causadas por um só gene-,
como a fibrose cística). Ninguém estaria contra uma aplicação terapêutica dessa
natureza. Mas também se abre as portas para se fabricar pessoas com códigos
genéticos a pedido, literalmente programar uma pessoa em
laboratório, deixando de lado o fortuito e a natureza. Também para
mesclar genes entre espécie, poderíamos ter quimeras. Essas aplicações, nesse
momento estão no campo da ficção científica, mas tecnicamente seriam possíveis.
Portanto, CRISPR é uma tecnologia muito potente porque nos permite modificar o
genoma humano.
Inteligência artificial: é a imitação das
capacidades intelectuais humanas mediante máquinas. Os algoritmos são
ferramentas estatísticas que permitem, com base na enorme quantidade de
dados (a "big data"), processar esses dados, perceber o sentido
desses dados, "aprender" com esses dados para obter conclusões
e tomar decisões. Temos IA no reconhecimento facial, reconhecimento do nosso
estado de ânimo, da nossa orientação sexual. Também se pode usar a IA
para o processamento da linguagem natural (tradutores automáticos), nos
automóveis autônomos (fabricados, p. ex., por Tesla, de Elon Musk).
Também se usa a IA enquanto tecnologia financeira (as chamadas fintechs), como
os trades algorítmicos que tomam decisões para comprar e vender ações
independentemente de um trade humano.
Nanotecnologia: manipulação de átomos e
moléculas para produção em escala. A manipulação da matéria em nível atômico e
molecular abre enormes possibilidades. Permitirá criar materiais mais
resistentes ou com maior condutividade elétrica. Pode-se pensar, inclusive,
em romper a barreira entre a química orgânica e a química inorgânica,
fundindo átomos de carbono (que é o átomo da vida) com minérios, criando novos
seres que sejam intermediários entre algo "vivo" e algo
"morto".
Robótica: fabricação de robôs, com cada
vez maiores habilidades. Por exemplo, no Atlas ou Spot Mini, os trabalhos
feitos pela Boston Dynamics, ou os trabalhos do DARPA (Departamento de Defesa
dos EUA), que trabalha com empresas para fabricar robôs com finalidades
militares. Já se pode pensar em drones armados para controlar distúrbios.
A robótica também se aplica a próteses inteligentes, conectadas aos
nervos, o que permite que se possa movimentar as próteses com impulsos
cerebrais. Isso significa uma fusão entre o humano e o não humano.
Outras tecnologias: computação quântica,
impressão 3D, bioinformática. Todas são tecnologias convergentes, porque, à
medida em que vão se aprimorando, pode-se fazer aplicações conjuntas. Por
exemplo, a união entre a inteligência artificial e a biogenética, para
determinar as funcionalidades de genes e seus efeitos conjuntos (efeitos
pleiotrópicos), para determinar nossas características morais ou intelectuais.
Haveria o encontro entre o poder de processamento de dados da IA com a
biogenética.
Qual é o ponto? Que todas essas
tecnologias estão nos permitindo, segundo os progressistas, um paraíso terreno.
Em dezembro de 2015, o Diretor e CEO do Fórum Econômico Mundial (Klaus
Schwab) escreveu um artigo para a revista Foreing Affairs, introduzindo o
conceito de quarta revolução industrial. Em abril de 2016, em uma
conferência de imprensa, ele lança a ideia de quarta revolução industrial.
Segundo ele, vivemos um processo de mudança tecnológica sem precedentes e que
há enormes desafios a enfrentar (a agenda progressista) e que chegou a hora de
utilizar todas essas tecnologias convergentes em benefício de toda a
humanidade, porque precisamos aspirar ao progresso para toda a humanidade. Ele
define a quarta revolução industrial como a fusão de sistemas biológicos,
tecnológicos, físicos e digitais
[https://www.weforum.org/agenda/2016/01/the-fourth-industrial-revolution-what-it-means-and-how-to-respond/];
[no original: "It is characterized by a fusion of technologies that is
blurring the lines between the physical, digital, and biological spheres."]
Quero que fique clara essa palavra: fusão. Ou seja, a quarta revolução
industrial é um conjunto de tecnologias que não vão mudar o que nós fazemos,
mas o que nós somos. Então, está-se pensando em aplicar a
tecnologia diretamente sobre os seres humanos. A 4IR esconde algo, que veremos
a seguir.
Transumanismo. É uma ideologia política,
um movimento cultural, iniciado oficialmente em 1998 pelo economista
suiço Nick Bostrom, professor da Universidade de Oxford, e David Pearce,
filósofo britânico, quando fundaram a Associação Transumanista Mundial. Em
2006, essa associação mudou de nome, e agora se chama "Humanity
Plus". O que o transumanismo propõe é melhorar as capacidades
físicas, cognitivas, intelectuais e, inclusive, morais do ser humano, mediante
a aplicação de tecnologias ao ser humano. Possui três grandes postulados:
a superlongevidade (para os transumanistas, a morte é uma enfermidade.
Inclusive, estão fazendo lobby na OMS para declarar a morte como uma
enfermidade) através da engenharia genética, CRISPR, para estender a
vida. Em ratos, já se triplicou a expectativa de vida utilizando-se CRISPR, o
que no ser humano equivaleria a uma expectativa de vida entre 250-300 anos.
Outra proposta é a superinteligência. Afirma-se que o ser humano está em
um estágio primitivo de evolução. A evolução darwiniana é um
processo lento, cruel e sem propósito. Para os transumanistas, essas
ferramentas tecnológicas podem ser utilizadas em nós, para assumir absoluto
domínio sobre o processo evolutivo. Quanto à superinteligência, a proposta é
criar a fusão da inteligência humana com computadores com maior capacidade de
processamento. É o caso de Neuralink, que permite especularmos sobre
neurohackers. Assim, podemos aspirar a ser muito mais inteligentes, processar
muito maior quantidade de informação. Há uma vertente dos transumanistas,
chamada pós-humanista, liderada entre outros por Nick Bostrom, que propõe que
em algum momento sequer precisaremos ter um corpo físico, que poderíamos fazer
upload de nossa inteligência para a nuvem e formar uma grande
inteligência coletiva com outros, onde se poderia gerar uma super
inteligência coletiva. Estamos falando aqui de ficção científica e o curioso é
que os transumanistas, apelando à ciência, exercitam a ficção científica. O
terceiro ponto (depois da superlongevidade e da superinteligência), é o
superbem-estar, proposto por David Pearce. Para ele, modificar-nos
geneticamente é "um imperativo hedonista" [hedonistic
imperative] para aspirar ao super bem-estar. Diz ele que temos que esquecer da
dor do sofrimento, precisamos nos desfazer dos genes que nos tornam
agressivos, violentos, ciumentos, que nos obrigam a lutar e matar uns aos
outros. Mediante a manipulação genética, poderemos fazer seres virtuosos.
Não vamos sofrer. E por isso valerá a pena ter uma superlongevidade e uma
superinteligência. [no slide: super longevity, super intelligence, super
wellbeing].
O que está se buscando é a destruição do
Homo sapiens, e a sua conversão em Homo Deus. E aí está o título de Yuval
Noah Harari, historiador judeu. É um agente do progressismo internacional.
Poderemos aspirar a ser deuses. Aqui está a armadilha do transumanismo. Como
definir o que é "melhora" do ser humano? Seria mais apropriado dizer
que se busca a "modificação", que poderá ser boa (como eles pensam)
ou má. Entre eles, há uma "fé" na ciência. Eles são ateístas e
rejeitam o cristianismo, pois não querem uma criatura feita à imagem e
semelhança de Deus, querem se desfazer do Homo Sapiens. Eles aspiram criar
seres que sejam perfeitos em sua imaginação. O problema é que cada um tem
diferentes visões sobre perfeição.
Pode-se concluir que a 4IR é
transumanismo feito política pública global, disfarçada com a ideia de
progresso para todos, justificada com a agenda progressista. Para o
transumanismo, é importante progredir moralmente. Mas para isso é necessário
romper com qualquer valor absoluto. Porque os valores absolutos são um freio
para as pretensões transumanistas e globalistas, porque para elas é necessário
relativizar o ser humano. O progressismo encarna o relativismo absoluto [no
slide, algo sobre pós-verdade]. Nada haverá de absoluto, por exemplo o
sexo, e qualquer gênero pode ser construído. [no slide: vários logos de
gêneros].
Um terceiro ponto muito importante, creio
que seja a chave para entender o motivo de estarmos entrando de cheio nessa
agenda transumanista, é a aprovação do aborto. Aprovado o aborto, todos os
princípios e valores morais da civilização ocidental deixam de ser absolutos.
Porque o aborto é a transição do ser humano de sujeito de direito a objeto (de
comercialização, de experimentação). O transumanismo busca fazer experiências
com o ser humano, como por exemplo os biohackers, que trabalham com ferramentas
CRISPR para modificar geneticamente seres vivos, como mudar os pigmentos de
sapos, melhorar certas qualidades de seus cachorros, ou aplicando sobre si
mesmos, ou se aplicando microchips. Isso já está ocorrendo. Com o aborto, a
vida deixa de ter uma dignidade inerente, e a vida passa a ser um objeto de
produção e consumo. É comum que, depois da aprovação do aborto, também surge a
possibilidade de se fazer experiências com embriões humanos até 14 dias de
idade, e também se permite que as clínicas de aborto vendam os órgãos e tecidos
dos abortados. E o que motiva a aprovação do aborto para idades cada vez
maiores, até chegar ao 9º mês, é poder dispor de órgãos mais maduros para a
pesquisa.
Jessica Yaniv processou uma clínica de
estética porque se recusou a fazer a "depilação brasileira". [Fala
dos transgêneros. Mostra fotos de uma mulher que fez tratamento para ter
barbas, tirou os seios, e ficou grávida]. Os transidade: o caso do canadense
Paulo que aos 46 anos decide que sua idade é seis, muda o nome, e foi adotado
por um par que também possui uma profunda disforia. Ele abandonou esposa e
filhos e foi viver com seus "pais adotivos". Podemos falar de Martina
Big, atriz alemã, que fez um tratamento de pigmentação de pele para se tornar
negra, passando a se chamar Malaika Kubwa. É um outro tipo de disforia.
Temos os transgêneros, os transidade, os transraça. Podemos falar dos
transespécie.[mostra foto de um homem que se tornou mulher, depois quis ser
mulher lagarto e agora deseja ser mulher dragão, com implantações de titânio,
tatuagens, cirurgias para se corrigir, tornou sua língua bífida, tirou o nariz,
segundo sua visão de perfeição de si mesmo. Fala também o homem papagaio, do
homem leopardo]. Pode-se falar dos transficientes, pessoas que nasceram sadias,
mas decidiram tornar-se voluntariamente deficientes [mostra uma mulher que vive
em cadeiras de rodas sem ter problema algum e outra que inseriu ácido nos olhos
porque queria ser cega]. E podemos falar de transumanos atuais, como Neil
Harbisson, que instalou um identificador de cores e James Young, jovem
londrino, que perdeu seu braço e perna, e instalou um braço mecânico com
luz e carregador de celular, dando uma nova funcionalidade a "seu
membro".
Nas escolas, se propõe o Unicórnio
de Gênero (notar o desenho do DNA na zona genital), que procura normalizar as
disforias vistas acima. Ensina-se às crianças que, afinal, nossas diferenças
físicas são irrelevantes, que nossa anatomia, nossa biologia, nossas
capacidades cognitivas são absolutamente irrelevantes, porque somos criaturas
que podem ser moldadas segundo a nossa própria vontade. Também somos
bombardeados com propagandas que procuram normalizar comportamentos.
Ao juntar as peças, podemos procurar
encontrar tendências, projeções e padrões em comum de todos esses
fenômenos. Podemos dizer que tudo isso aponto a uma total liberdade morfológica
e cognitiva. [usa um slide escrito "morphological freedom"]. Da
esquerda para a direita, Vênus, um rapaz alemão que fez buracos na bochecha,
Conchita Wurst (que se define como gay+drag queen), a mulher dragão. Até aqui,
podemos identificar que são pessoas humanas. Seguindo à direita, entrando
no terreno de projeções e hipóteses: podemos criar mulher-leopardo
através da técnica CRISPR, ou criar uma nova espécie que não existe na
natureza, citando obra de arte de uma artista transumanista chamada
Patricia Piccinini]. Ou seja, há uma tendência, um padrão, em que categorias
como transgênero, transraça, transespécie, transidade, transficiente, são
estados prévios de transumanismo, uma espécie de habituação das novas gerações,
para aceitar essa diversidade. Aqui, entramos na reconfigurarão do Homo sapiens, como dizia Klaus
Schwab
E esse é o objetivo final: nos
convertermos em seres moldáveis, de acordo com aqueles que controlam as
tecnologias. No minuto mostra
imagens de Big Techs chinesas.
Qual a relação de tudo isso com o
COVID-19? [no slide:
https://freedomplatform.tv/plandemic-indoctornation-world-premiere/] Eu
tenho a firme convicção de que essa pandemia foi fabricada e seu
propósito não é outro senão colocar em prática o Great Reset. E isso [a
pandemia] abre caminho para a "nova normalidade" (que é mais ampla do
que só a reconfiguração do ser humano, alcança também aspectos da vida de
trabalho, com a destruição das empresas, porque isso abre passo para a
robótica, a automatização dos postos de trabalho, a inteligência
artificial. Podemos falar no impacto sanitário, no impacto sobre os
transportes, ou seja, uma nova forma de vida). Mas no coração dessa nova
forma de vida, a ciência e a tecnologia como instrumentos não só de emancipação
ou liberdade do ser humano para produzir mais e melhor, mas também para se
modificar a si mesmo.[mostrou o filme do Fórum Econômico Mundial, chamado
Grande Reinício: https://www.youtube.com/watch?v=caXgXx3rnzM]
Reflexões finais. A4IR é a instrumentalização
da agenda progressista. Representantes do progressismo: Fórum Econômico
Mundial, os membros que participam da Reunião de Davos, Bill Gates,
George Soros, Mark Zuckemberg, os grandes donos das Big Tech, das Big
Pharma, das Big Finance, prêmios Nobel que servem para validar o discurso e a
agenda que os grandes filantropos estão promovendo. Podemos falar
que a 4IF é a implementação do transumanismo a nível global.
Essa agenda só será possível se houver
concentração de poder político e econômico. E quem faz isso são os famosos
filantropos, Bill & Melinda Gates Foundation, Open Society
Foundation, Chan Zuckerberg Inicative, Omidyar Network, Ford Foundation,
Wellcome Trust. Todas essas fundações dão um rosto de filantropia aos grandes
conglomerados mundiais. O que essas fundações fazem é, através de sua
filantropia, privatizar o poder político. Não estão fazendo nada ilegal, mas
imoral. Nada impede a Bill Gates a financiar a Organização Mundial da Saúde com
US$ 3.4 bilhões, mas isso acaba privatizando a OMS e submetendo-a a suas
preferências. Essa lógica se repete na ONU, no Banco Mundial, no Fundo
Monetário Internacional, em todos os organismos supranacionais, nos
Estados nacionais, nas universidades, nas ONGs, porque o dinheiro
compra lealdades.
Uma condição para a implementação da
4IR é a destruição da moral judaico-cristã, que se baseia em princípios e
valores absolutos. Relativizar o ser humano e tudo o que o rodeia é
indispensável. É por isso que se busca modificar a linguagem (se fala de
linguagem inclusiva), ou se afirma que precisamos destruir a história (não
recordar o passado, porque se está construindo um novo mundo e uma nova
normalidade). Esse novo normal busca a destruição do ser humano, pois
quando se procura a provação do aborto, está-se buscando transformar o ser
humano de sujeito a objeto.
O mais importante: a mudança de um
paradigma, onde é o homem que passa a estar a serviço da tecnologia. Em nome
dessa pandemia, se está buscando implementar uma agenda que busca reconfigurar
e redefinir o ser humano. Isso pode ser feito com o uso de vacinas, por exemplo
com RNA mensageiro. Mas também pode ser feito pela via voluntária (como vimos
no tema da liberdade morfológica). Para além de questões políticas e econômicas
de curto prazo, trata-se na verdade da preservação da condição e da natureza
humanas.
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