Distinção aristotélica entre natureza primeira e natureza segunda. Aristóteles sustentava que a natureza primeira do homem é tudo aquilo que é dado, ou seja, que não está disponível à mudança. Porque são atributos universais, atributos fixos, necessários, por exemplo o homem é um ser vivente, corpóreo, volitivo, racional, político. Essa essência não está disponível para a mudança.
Ao contrário, a natureza segunda são os costumes, a ética, os valores, a personalidade. Uma pessoa pode ir mudando a natureza segunda.
A natureza primeira, não se pode mudar. Tudo aquilo que vem dado naturalmente não está disponível para ser mudado.
Então, uma ideologia que ensina que as coisas não são o que são, mas o que você quer que sejam, é uma ideologia histérica, gera histeria social, de gente que pensa que a história não é o que é, mas sim o que alguém quer que seja, que alguém pode dispor da natureza, modificá-la a gosto e desgosto.
Na verdade, eu posso apenas mudar o aspecto de minha natureza, mas não a essência de minha natureza. Por exemplo, nasci com cabelos castanhos e faço um clareamento. Mas não penso que nasci com o cabelo equivocado. Nasci branco e posso me bronzear ou posso operar a pele, como fez Michael Jackson para mudar a cor da pele. Mas minha cabeça não diz "eu nasci com a pele equivocada".
As coisas são o que são, não o que alguém quer que sejam. A história é o que é, não o que alguém quer que seja.
Como é sadio poder reconhecer as coisas tal como são e poder modificar aquilo que se está ao alcance e adaptar-se às coisas que não se pode mudar. Eu nunca vou mudar meu sexo. Posso mudar a aparência de meu sexo, travestir-me, mas nunca farei com que minha natureza genética, orgânica, biológica, natural mudem. Porque a natureza segunda pode ser modificada, mas a natureza primeira é imodificável.
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